Clipping

3 de dezembro de 2014

Sebrae e produtores lançam marca Região do Queijo da Canastra

A conquista da identidade própria vai abrir mercado para 800 produtores que fabricam 16 toneladas por dia da iguaria.

Queijo_Canastra_Correto

 

 

No próximo dia 10 de dezembro, quarta-feira, o Sebrae Minas, em parceria com o Siccob/Saromcredi e a Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) promove, em São Roque de Minas, no Centro-Oeste do Estado, o lançamento da marca Região do Queijo da Canastra. A iguaria é um dos mais legítimos representantes da gastronomia mineira, tombada como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro, e certificado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) com o selo Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), que garante sua origem.

De acordo com a Aprocan, a região abriga cerca de 800 produtores, distribuídos por sete municípios – Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Tapiraí e Vargem Bonita (a primeira cidade banhada pelo legendário Rio São Francisco). A produção total, inteiramente artesanal, chega a 16 mil quilos por dia. A altitude e o clima são determinantes para as características do produto e contribuem para definir o terroir, a exemplo dos melhores queijos franceses e italianos. Esses são, aliás, alguns dos requisitos para a denominação do Queijo Canastra conforme exigência do INPI.

Na cidade de Medeiros, foi erguido o Centro de Qualidade, registrado no Sistema Brasileiro de Inspeção (SISBI), que  autoriza vender o Queijo Canastra em todo o território nacional. Item praticamente obrigatório na cozinha do brasileiro, um Queijo Canastra consome, na sua produção, de 10 a 12 litros de leite, coalho e fermento lácteo natural, tirado do próprio soro. Uma vez pronto, o queijo entra em maturação por cerca de 22 dias. Esse processo, usado para “curar” a iguaria, confere-lhe mais qualidade.

A marca

Lancamento_queijo_canastra
O lançamento da marca Região do Queijo da Canastra é parte integrante do trabalho que é desenvolvido pelo Sebrae Minas junto aos produtores da Serra da Canastra. “Através da organização de um grupo de produtores de Queijo da Canastra, e trabalhando sua identidade com foco em novos mercados, nosso objetivo é fortalecer sua marca e origem junto aos diversos compradores e consumidores”, ressalta o analista do Sebrae Minas Ricardo Boscaro.

As ações do Sebrae Minas começaram em 2013. Os produtores foram orientados sobre a importância do trabalho em grupo, o fortalecimento do associativismo, a revisão do regulamento de uso da Indicação de Procedência e a análise do mercado. A união dos produtores resulta, agora, no lançamento da marca própria, com novo posicionamento frente ao mercado e consequente fortalecimento do Queijo da Canastra, dos produtores e do território. “É o desenvolvimento da região a partir do queijo, da valorização das tradições e do modo de vida da sua gente.” resume o analista. Novas ações serão desenvolvidas a partir de 2015 visando a ativação das estratégias definidas neste ano.

Personagens

Os produtores do Queijo Canastra são agricultores familiares, de pequeno porte, com produção média diária de 20 unidades. Graças ao apoio do Sebrae, estão reformulando suas práticas de produção, com os devidos cuidados sociais e sanitários, aprimorando a gestão de seus negócios e conquistando novos mercados.

A produtora Júlia Vitória da Cunha, 33 anos, de São Roque, é a única mulher vinculada à Aprocan. Aos 23 anos, trabalhava na lavoura (café, principalmente) e lutava sozinha para criar o filho, Vítor, então com 3 anos. Foi aí que resolveu mudar sua história: começou a tirar leite das vaquinhas do pequeno sítio da família e a fabricar queijo. “Fazia queijos enormes e vendia para atravessadores. Perdia dinheiro nesse processo, mas comecei a ganhar o suficiente para comprar minhas próprias vacas”. Hoje ela tem 18 animais em lactação e tira 100 litros de leite por dia. Produz 10 queijos e tem um sonho: conquistar a própria terrinha.

Wander Evangelista de Carvalho (ex-professor), 73 anos, e sua esposa, Marisa (ex-funcionária pública), 67, são os proprietários da Fazenda Estrela, em Tapiraí, com 18 vacas lactantes, onde produzem de 15 a 20 queijos por dia. Para produzir um quilo de queijo canastra, eles precisam de 10 a 12 litros de leite, coalho e fermento lácteo natural, o “pingo”, tirado do próprio soro. Os queijos da Estrela são comercializados na cidade de Campos Altos, a 23 quilômetros.

Na pequena Vargem Bonita, 2,5 mil habitantes, o produtor Reinaldo Faria Costa fabrica 15 queijos/dia (na época das águas, a das vacas gordas, chega a 30 unidades) na sua fazenda Capivara, com 50 hectares e 50 vacas. Ele vende toda a produção ali mesmo. O seu segredo de sucesso: “Gado bem tratado e higiene em todo o processo”.

A fazenda Água Limpa, em Piumhi, é igual às centenas de propriedades rurais da região, principalmente aquelas produtoras de queijo: casa típica com varanda e muitas janelas, árvores frutíferas, muito verde e a queijaria – um cômodo para o processo de “amassar” o queijo já com o “pingo” (guardado desde o dia anterior e aplicado na quantidade certa) e outro para a “cura” (maturação). Tudo muito limpo. O produtor Allan Diego da Silva e sua mulher, Valéria, fazem 10 queijos por dia. “Fizemos a casinha, nos cadastramos no IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária, um dos órgãos fiscalizadores) e estamos na luta. Tínhamos um pouco de vergonha de mostrar nossos queijos; hoje, temos orgulho”, afirma um confiante Allan, orgulhoso de suas 30 vacas criadas nos 53 hectares da propriedade.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa do Sebrae Minas

Leia mais......
Página 2 de 212
.